Agressividade Canina

Uma dúvida frequente do proprietários diz respeito ao problema dos cães agressivos e como agir para evitar que os cães se envolvam em acidentes graves como ataques a pessoas e crianças. Especialmente após a divulgação de diversos casos de acidentes envolvendo cães de raças consideradas agressivas, a preocupação dos proprietários cresceu muito e este texto pretende auxiliar na compreensão do porquê os acidentes acontecem.

Em primeiro lugar é importante frisar que apesar de acidentes causados por cães de grande porte e de raças consideradas agressivas virarem notícia, não é deles o maior índice de ataques a pessoas... os pequenos e peludos também mordem... e muito. No entanto, a gravidade destes ataques é proporcional ao tamanho dos cães e por isso podem passar desapercebidos. O ponto central é ter consciência de que qualquer cão pode tornar-se agressivo. As razões para tal são diversas, desde o temperamento do cão até condições ambientais.

Tipos de agressividade

Nem todo o cão reage de forma agressiva aos mesmos estímulos. A reacção agressiva de um cão vai variar de acordo com a sua personalidade, por isso mesmo é importante que o proprietário tenha a honestidade de avaliar a personalidade do seu cão a fim de evitar possíveis acidentes e, principalmente, agir de forma a corrigir algum traço desviaste.

Agressivamente por dominância

Normalmente entram nesta categoria aqueles cães de personalidade mais forte, e de raças consideradas mais independentes. Entram também os pequenos peludos que não são tratados como cães pelos  seus donos e acabam desenvolvendo uma personalidade muito dominante. As probabilidades de ataque aumentam quando, por exemplo, o cão é contrariado pelo proprietário. Cães dominantes podem reagir agressivamente, também, quando pressentem uma disputa ou quando sentem a sua posição hierárquica ameaçada.

Agressividade Pela Posse

A agressividade pela posse é praticamente uma variante da agressividade por dominância, mas apresenta-se de uma forma mais específica. Neste caso o cão sente que precisa defender os seus bens preciosos, que podem ser alimentos, brinquedos, ou um osso, de quem quer que seja.

Agressividade pela Defesa do Território

A protecção do território é um aspecto instintivo dos cães. Por isso mesmo é que são usados pelos humanos para a função de guarda. O problema, neste caso, é quando a agressividade pela defesa de território ultrapassa as cercas ou muros que delimitam o território real do cão. Neste caso, muito comum a cães de guarda e protecção, a importância de um bom adestramento é fundamental. Cães de guarda precisam ser, antes de tudo, equilibrados e confiar plenamente em seus proprietários, que, por sua vez, não devem estimular comportamentos agressivos não controlados de seus cães.

Agressividade Para Protecção

A agressividade para a protecção do grupo ou da matilha do cão é um dos principais factores de acidentes, especialmente porque nestes casos não há o controle do cão pelo proprietário. O cão age por si mesmo e obviamente não tem o discernimento para saber quando parar.

Agressividade Por Medo

A melhor defesa é o ataque. Esta é a filosofia embutida nas reacções de um cão quando está com medo. Normalmente ocorre quando o cão é (ou se sente) ameaçado. Nestes casos o cão reage por antecipação, ou seja, nada aconteceu ´ainda´. Esta situação é muito comum em consultórios veterinários e durante sessões domésticas de limpeza de ouvidos, dentes e até mesmo quando o proprietário precisa dar um comprimido ao cão.

Agressividade Redireccionada

O caso mais típico deste tipo de agressividade é quando cães da mesma casa brigam entre si sempre que outro cão passa próximo ao seu portão. Isso acontece quando o cão, impedido de atacar o verdadeiro alvo de sua agressividade, ataca outro indivíduo mais próximo .

Agressividade Predatória

É o caso de um cão que persegue alguém quando esta  passa por ele a correr.. É possível, inclusive, que quando a pessoa pare de correr, ele pare também, sem a atacar. Nesta situação o cão age por puro instinto de caça não com a intenção de intimidar ou ferir.

O que pode levar um cão a mostrar agressividade?

As razões são muitas, mas basicamente há 3 factores principais:

Cães maltratados, que passam a encarar os seres humanos, de maneira geral, como fonte de mal-estar e maus tratos. Nestes casos, para o cão, a melhor defesa é o ataque.

Cães treinados para terem comportamento agressivo e que são entregues a pessoas com pouca ou nenhuma responsabilidade e/ou experiência. Nestes casos, é comum que o cão passe a ser o líder da matilha quando percebe a falta de autoridade do proprietário.

Distúrbios de comportamento devido a razões genéticas. Aqui encontramos os casos de acidentes envolvendo cães de raças sem a menor tradição de agressividade e que se tornaram muito populares, como os cães de caça (cocker, labrador, por exemplo) e cães de companhia (poodle, york). Podemos citar como fonte deste problema a actuação de pessoas que acasalam e vendem cães sem critérios.

Se estes três são os principais MOTIVOS para a existência de cães agressivos, existem também situações do dia-a-dia que podem levar um cão a atacar uma pessoa.

Agressividade X Dominância.

É muito importante fazermos uma destinção clara entre dominância e agressividade.

Dominância

O cão dominante é aquele que sempre tem suas vontades atendidas. Essa dominância, porém, não necessariamente é feita de forma agressiva. Muitos cães dominantes são extremamente dóceis e simpáticos. Daí a razão de raramente conseguirmos lhes dizer NÃO.

E toda a questão de dominância se resume nisto: quem é que decide. E quando a vontade que prevalece é a do cão, e não a do dono, temos uma situação clara de cão dominante, e que nada tem de agressivo. Quando falamos em dominância estamos a falar do temperamento do cão. Um cão que sabe ser um bom líder.

Agressividade

Agressividade é o tipo de reacção que um cão apresenta. É a forma com que este cão responde aos estímulos externos: age de forma violenta; impulsiva; exagerada. A Agressividade, pode ser detonada por várias razões, como medo, possessividade, e (também) dominância.

O Papel do Proprietário

A base para uma história com final feliz é saber escolher bem a raça do cão que você quer. Conhecer o temperamento de cada raça é fundamental para uma escolha bem feita. Tudo é importante: se é uma raça agitada ou não (cães muito activos ficam tremendamente ansiosos ao lado dos donos muito sedentários); se é uma raça fácil de educar ou não; se costuma ser agressivo ou não, etc. O ideal é que  escolha a raça mais adequada ao seu temperamento e ao seu estilo de vida. Chegamos, então, à escolha do cachorro. Ao chegar ao canil, peça para que sejam separados os cachorros do sexo que  quer. Observe muito bem os cachorros, e repare  como se comportam. Os cachorros mais audaciosos tendem a ser mais dominantes, exigindo uma postura muito clara de seu dono como líder. Devem ser evitados pelos principiantes. Podem se tornar agressivos, se não forem devidamente treinados.  Os cachorros muito medrosos também devem ser evitados. Muitos deles acabam se tornando agressivos. Como eles não confiam no líder para garantir a segurança da matilha, tomam decisões sem serem aptos para tal. Não sabem avaliar uma situação de perigo real, e tornam-se até mais perigosos que os cães dominantes, pois estes dominam a situação, o cão medroso não. Ele ataca às cegas.  O ideal é que se escolha os cachorros que tenham um comportamento intermedio entre estes dois tipos. Você pode até levar um "dominante-bonzinho", mas dificilmente levará uma fera. Depois de escolhido o cachorro, vamos ver como e onde  vai morar. É importante que possa ter espaço (e brinquedos) para brincar e se distrair; que tenha água e comida de acordo com seu tamanho e necessidade; que seja socializado com outros cães e humanos; e o mais importante: que   receba muito carinho e se sinta acolhido em sua casa. Partimos, agora, para a questão da educação do seu cão. É muito importante que o cão lhe obedeça; o respeite como líder; e saiba obedecer aos comandos básicos. O mais importante, no entanto, é prestar muita atenção para não recompensar comportamentos agressivos do cão. São muitas as situações corriqueiras em que recompensamos comportamentos agressivos, sem  darmos conta disso.

Algumas dessas situações:

O dono vai colocar a coleira no cão, e este (assustado) ameaça morder, e o dono recua o braço, fazendo com que a acção pare. Este dono acabou de ensinar ao Lulu, que a situação que o assustava acabou quando ele ameaçou morder o dono. Adivinhe o que ele irá fazer quando se sentir assustado de novo?  O proprietário sai para passear com seu cão na rua. Todas as vezes em que o cão reage agressivamente à aproximação de outras pessoas ou animais, o dono afaga o cão dizendo "... amigo..." ou "... calma...", etc. Este cão entenderá que está sendo recompensado por agir agressivamente. Terá certeza de que é este o comportamento que seu dono quer dele, afinal este o recompensa sempre que age assim. Você está com um alimento qualquer nas mãos, e o seu cão salta, arrancando o que você tinha na mão. Mais uma vez vemos um cão que foi recompensado por um acto violento: ele ficou com o alimento. Mesmo que depois você lhe tire o alimento da boca, a imagem que fica, para ele, é a de que ele pode roubar a sua comida, arrancando-a. Enfim, todas as vezes  que o cão é recompensado por ter uma atitude agressiva, contribui para um comportamento nocivo. E a máxima "é melhor prevenir do que remediar" aqui também se aplica. Todo comportamento agressivo do cão deve ser contido com firmeza. Se seu cão rosna para outro na rua, dê um puxão na trela e diga NÃO!  Continue dando puxões, até que ele se acalme. Então afague-o. Socializar o cachorro é a melhor maneira de combater a agressividade dos cães. Deve ficar bastante atento ao comportamento de seu cão, durante o seu crescimento. Se ele der sinais de agressividade antes dos 6 meses de idade,  deve procurar um especialista em comportamento. Só ele poderá avaliar o real grau de agressividade que o  seu cão apresenta. Uma atitude agressiva  entre os 6 meses e 1 ano é bem mais aceitável, desde que dentro de limites claros: se o cão fere alguém intencionalmente, é hora de procurar o especialista. A grande dificuldade da resolução deste problema, é que na maioria das vezes o proprietário do cão demora muito a reconhecer o quanto agressivo o seu cão é. E quando percebe, já é tarde demais. Estes proprietários acham tal comportamento normal, principalmente se estes cães forem cães de guarda. Mas lembre-se: o facto dele ser um cão de guarda, não lhe dá autorização para ser violento. O cão de guarda deve ser violento com quem nos ataca. Mas com os donos,  deve ser leal e obediente!